domingo, 3 de junho de 2012

Quando arrogância e desrespeito se tornam "atos de coragem"


A respeito de nota assinada por 70 estudantes (são 3.081), por 34 professores (são 131) e por 8 servidores técnicos-administrativos (são 137) do Campus III da UFPB, em Bananeiras, na qual tentam justificar os injustificáveis ataques proferidos pelo Secretário Executivo do Governo do Estado, Alexandre Eduardo de Araújo,  aos professores daquele campus que votaram em Margareth Diniz, tenho a declarar o que se segue:

1. Fazer referência ao trabalho do PROFESSOR Alexandre não justifica tamanha falta de urbanidade para com seus colegas de trabalho. A urbanidade, mais do que a boa educação, é um dever de civilidade. 

2. Quem escreveu a nota tenta amenizar a postura do referido professor afirmando que ele apenas “opinou” sobre “posturas políticas de DOCENTES do campus III”. Foi isso mesmo? Acusar seus pares de “ingênuos”, “vendidos”, “covardes” e “traidores, simplesmente por não terem votado na candidata do hoje secretário de governo, não pode ser considerado um fato normal, especialmente quando os envolvidos são professores universitários. Isso não é ser “ofensivo”? Tal atitude, ao invés da defesa, mereceria o repúdio por quem preza o debate de ideias e o convencimento como instrumentos primordiais do fazer político;

3. Na nota, busca-se escudar as agressões do professor-secretário sob o manto da “liberdade de expressão” e que ele, ao escrever o que escreveu, estava apenas exercendo “o direito e o dever de cidadania”. Mas, onde fica a tolerância e o respeito às opiniões divergentes? Por acaso a agressão gratuita e o autoritarismo podem ser encarada como expressão de ”liberdade” e “cidadania”? A não que se acredite piamente na frase de Carlos Drummond de Andrade segundo a qual a “liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras”.

4. Por fim, quando a arrogância, a prepotência e o desrespeito do professor-secretário Alexandre Eduardo de Araújo são convertidos em “atos de coragem” começamos a dar asas ao fascismo, aquele fascismo que, segundo Michel Foucault, habita “em todos nós, que assedia nossas mentes e nossas condutas cotidianas, o fascismo que nos leva a amar o poder, a desejar por este que nos submete e explora”.

Não desconheço o dever de lealdade, amizade e admiração dos que assinaram a referida nota para com o professor Alexandre, mas não custaria nada reconhecer que o mesmo cometeu um erro. Ao invés da defesa a qualquer custo, sob argumentos que não se sustentam nem nos fatos nem na justificativa, talvez o mais adequado fosse um pedido de desculpas. Mas, nesse caso, generosidade política talvez seja pedir demais.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Qual o interesse do PT na eleição da UFPB?

Frei Anastácio: organizou "dossiê" contra Margareth por quê? 
Desde o início da campanha para reitor da UFPB é perceptível o esforço do grupo que dirige a UFPB há quase 20 anos de “partidarizar” a disputa, tornando-a uma mera extensão do que ocorre fora dos muros da universidade. 

Hoje, mais um triste capítulo dessa história aconteceu. Diretamente da tribuna da Assembleia Legislativa da Paraíba, o deputado estadual do PT, Frei Anastácio, disse que tem em mãos um “dossiê” que, segundo ele, “confirmam a interferência dos governos do Estado e de João Pessoa na eleição para reitor da Universidade Federal da Paraíba em favor da candidata de oposição, Margareth Diniz.” Provas? Os factóides lançados pela campanha de Lúcia Guerra, especialmente via WSCOM, sem nenhuma consistência ou verossimilhança.

Postagens de "Anisinho" comemoram o
adiamento da eleição na UFPB. Qual o
motivo de tanta alegria?
O problema é que Frei Anastácio não está sozinho no apoio à candidata apoiada pelo Reitor, Lúcia Guerra. Na semana passada, logo após o Consuni ter decidido adiar a eleição, o filho de deputado Anísio Maia, Anisio Maia Filho, comemorou o fato no Facebook nos seguintes termos: “Chora!!!! Acaba de ser aprovado pelo Conselho Universitário (CONSUNI) o adiamento da eleição para reitor na UFPB somente para depois da greve”.  

O estranho em tudo isso é o manifesto interesse das lideranças políticas do PT na eleição da UFPB, o que parece mais grave do que o que eles denunciam, que é um possível interesse do governador Ricardo Coutinho, já que a universidade em nada depende do governo estadual.

Diferentemente do governo federal, que é comandado pelo PT. Se a UFPB é mesmo autônoma, o reitor Rômulo Polari, e sua candidata, Lúcia Guerra, deveriam repelir o envolvimento de políticos com a sua campanha, estes comprovada e declaradamente seus apoiadores da candidata oficial na UFPB. 

Qual o interesse do PT na eleição da UFPB? Para um partido que tem na Presidência da República e no Ministério da Educação, a qual está ligada diretamente a UFPB, dois petistas (Dilma Rousseff e Aloísio Mercadante), não é um fato comum que deputados do partido que não tem qualquer vínculo com a universidade, não apenas manifestem abertamente  suas preferências eleitorais, como participem diretamente da campanha de uma das candidatas à reitora, não por acaso aquela que é apoiada pelo atual reitor.

Nesse caso, o dito popular de que quem disso usa, disso cuida não parece ser apenas adequado. É uma realidade palpável.

domingo, 20 de maio de 2012

"Ingerência externa" ou fim de um ciclo? O que derrotou Rômulo Polari e Lúcia Guerra na UFPB


Polari, ao lado da vice-reitora, e sua candidata Lúcia Guerra: fim de um ciclo ma UFPB
A realização do segundo turno na eleição de Reitor – desnecessária ,diga-se de passagem, já que basta dizer que ele acontece devido a anulação de duas urnas que funcionaram no interior da sala onde estava instalada  própria Comissão Eleitoral, – vai servir como uma espécie de tudo ou nada por parte dos apoiadores da candidata da situação, agora tendo a frente o próprio Reitor, Rômulo Polari.

Polari abandonou o aparente distanciamento do processo e anunciou engajamento total na campanha de Lúcia Guerra. Aparente porque o reitor teve uma intensa participação nos “bastidores” dessa eleição no primeiro turno, sendo ele o principal fiador, como não poderia deixar de ser, da candidatura situacionista.

E esse fato parece ser mesmo incompreensível para o atual Reitor da UFPB: como é possível uma candidata apoiada por uma administração que nos últimos anos recebeu do MEC, através do Reuni. quase 200 milhões de reais para investimentos e foi autorizada a contratar quase um terço do quadro atual de docentes e funcionários da universidade, teve apenas pouco mais de 1/3 dos eleitores, enquanto a principal candidata da oposição não venceu no primeiro turno por conta de 0,35% dos votos? 

O resultado foi uma surpresa? Claro que não, e a campanha, o discurso, os apoios conquistados por Margareth Diniz podem mostrar isso. Enquanto Polari, Lúcia Guerra e sua equipe imaginavam que o controle das ações administrativas da UFPB era suficiente para dar continuidade a um projeto de poder que já dura 20 anos, Margareth Diniz, Eduardo Rabenhorst e sua equipe produziram um profundo diagnóstico da situação administrativa e acadêmica que vive a UFPB hoje.

Foi esse diagnóstico que deu suporte a um ousado projeto para a UFPB e a um discurso aglutinador e catalizador do apoio de pessoas das mais variadas matizes, do PSTU, do PT, do PCdoB, PSB, PMDB, e, mais importante do que qualquer coisa, de uma infinidade de professores, funcionários e estudantes sem vinculação partidária. E foram essas pessoas que formaram e continuam formando a base real da campanha de Margareth Diniz. 

Por isso, soou tão artificial a cantilena incessante de Lúcia Guerra de que o “governo estadual” quer ter ingerência na UFPB através da candidatura de Margareth Diniz. Um discurso sem base real porque a UFPB não depende em nada do governo estadual. 

A lógica dessa homilia cansativa, recheada de factoides para tentar dar-lhe verossimilhança, é resultado de uma premissa: a de que, na UFPB, quem domina a administração sempre vence e, portanto, só pode ser derrotada por outra “máquina” mais poderosa. É como se a eleição fosse um detalhe incômodo e os eleitores carneirinhos domados. 

Não foi por acaso que um dos motes da campanha Lúcia Guerra foi um desfilar de apoios de Diretores de Centro, boa parte deles, diga-se de passagem, “biônicos”, ou seja, indicados pelo reitor, como a sugerir o poder irresistível da força da administração.

É por isso que o aprofundamento do discurso da ingerência do governador Ricardo Coutinho na UFPB no segundo turno não representa apenas o repisar de um erro grosseiro de avaliação, porque aposta na incapacidade de discernimento político da comunidade universitária, mas na dificuldade que tem o reitor e sua equipe de reconhecer que o desgaste e o esgotamento de um modelo político e administrativo é o principal responsável pelo fracasso eleitoral de sua candidata. 

Rômulo Polari, assim como Lúcia Guerra, completarão 16 anos à frente da administração da UFPB quando o atual reitorado se encerrar. Os dois são remanescentes do mesmo grupo que elegeu Neroaldo Pontes reitor no longínquo ano de 1992. 

Por outro lado, expressa um esforço artificial de desprezo e subestimação da liderança de Margareth Diniz na UFPB, para eles circunscrita à área de Saúde. Margareth Diniz, administradora, professora e pesquisadora, exibiu também uma habilidade política, uma capacidade de aglutinar forças e de gerar consensos, que lhe permitiu produzir alianças e obter apoios que transformaram sua candidatura num movimento avassalador de mudança na UFPB, cujo simplismo, rancor e, às vezes, inveja, querem atribuir à “forças externas”.

Simplismo que também pretende transformar a disputa da UFPB numa extensão do maniqueísmo que divide a política paraibana. Margareth Diniz, contra todas a manipulações e casuísmos, venceu a eleição para Reitor. E vencerá de novo porque esse é um sentimento irresistível que toma conta da comunidade da UFPB. 

Queira Polari ou não.

domingo, 13 de maio de 2012

O AZUL DA VERGONHA ou A UFPB TEM DONO?


Aproveito esse espaço para fazer um alerta à sociedade paraibana: a UFPB foi transformada numa terra de ninguém, onde as regras que regem as eleições para reitor são sistematicamente rasgadas. 

Acompanho eleições para reitor desde 1988, quando participei da Comissão Eleitoral daquela eleição como presidente do DCE, ainda como estudante, e reafirmo que nunca presenciei nada igual. Nenhuma Comissão Eleitoral foi tão parcial, permissiva com todo tipo de descumprimento das normas eleitorais por parte da candidata apoiada pelo atual reitor, e tão "rigorosa" quando se trata de qualquer ação da oposição.

É proibido distribuir camisas e brindes? Os apoiadores de Lúcia Guerra fazem isso e nada acontece. Vejam abaixo.

Camisas, ponpons, chapéus, bolas. Tudo que o regimento eleitoral proíbe, a candidata do reitor fez

Ônibus da própria UFPB podem ser usados para transportar apoiadores de candidaturas? Se forem da candidata apoiada apelo reitor, pode. Vejam abaixo:

Ônibus da UFPB transportando apoiadores da candidata do reitor. Tudo pode?

A página oficial do CCEN, centro que é dirigido pelo candidato a vice-reitor, é usada para divulgar a candidatura oficial, e nenhuma providencia é tomada. Vejam a prova abaixo:

Print da página oficial do CCEN: propaganda  para a candidata do reitor
Entretanto, quando se trata de Margareth Diniz o rigor aparece. Aqui se aplica muito bem aquele postulado: “Aos amigos tudo, aos inimigos a lei”.

Vejam o exemplo do último debate, que foi encerrado pelo presidente da referida comissão porque ele determinou a retirada de cartazes que estudantes levaram para protestar contra uma outra decisão casuística da mesma comissão: a de centralizar as urnas em um único espaço da UFPB.

Não custa nada lembrar que a Constituição Federal assegura a livre manifestação. Parecia mais uma provocação do referido professor para encerrar o debate e responsabilizar os apoiadores de Margareth Diniz de “baderna”, como aliás tentaram fazer durante todo o dia que se seguiu ao debate.

Por outro lado, no mesmo debate, a Comissão Eleitoral sequer fez menção à cor do tecido que cobria a mesa na qual seria realizado esse debate: um azul bem ao gosto da candidata apoiada pelo atual reitor. É como se dissessem: a UFPB tem dono! E o presidente da Comissão Eleitoral só teve olhos para os cartazes de protesto...

À esquerda, a cor neutra da mesa do primeiro debate; à direita, em azul, do último. A UFPB tem dono?


Não custa lembrar que o protesto dos estudantes era mais que legítimo, pois a decisão de concentrar todas as urnas da eleição de Reitor criará desnecessariamente OBSTÁCULOS À VOTAÇÃO porque exigirá um deslocamento massivo da Comunidade Universitária.

Além disso, essa decisão É ARBITRÁRIA porque foi tomada sem as necessárias consultas às representações da Comunidade Universitária e sem levar em consideração o que diz a própria Resolução Nº 01/2012, do Consuni, que regulamenta o atual processo eleitoral, que, no artigo 33, diz expressamente que o processo de Pesquisa Eleitoral será descentralizado, cabendo à Comissão Especial, por intermédio das Comissões Setoriais, determinar os locais onde serão instaladas as urnas eletrônicas”. Essas comissões setoriais foram consultadas? NÃO!

Na mesma Resolução, agora no artigo 35, é determinado expressamente que as urnas serão “distribuídas em função do respectivo número de votantes e da dispersão geográfica, em todos os campi da UFPB”, não cabendo, portanto, nenhum tipo de “interpretação” sobre a resolução, que é muito clara quando se refere à maneira como as urnas serão distribuídas. 

A HISTÓRIA E AS TRADIÇÕES DEMOCRÁTICAS das eleições na UFPB confirmam isso. Por fim, trata-se de um CASUÍSMO, um GOLPE, não na candidatura de Maragareth Diniz, mas nas tradições democráticas de nossa universidade, pois ela muda as regras previamente estabelecidas pelo CONSUNI, mudança que acontece às vésperas da eleição para que se efetive como um fato consumado. 

Peço respeito às normas eleitorais, que é um princípio fundamental da democracia e da equidade política e jurídica entre os cidadãos. Se a comunidade da UFPB e a sociedade paraibana permitirem que tudo fique ao sabor das conveniências de cada pessoa ou grupo toda a luta das gerações passadas por democracia estará perdida.

sábado, 5 de maio de 2012

Eleições na UFPB: a quem interessa concentrar as urnas para dificultar o voto?



A Universidade Federal da Paraíba realiza eleições diretas para Reitor desde 1984. Nesses 28 anos, foram sete eleições, todas realizadas de forma transparente e democrática, ocasiões em que a Comunidade Universitária expressou livre e majoritariamente sua escolha pelo candidato e pelo projeto que considerou o mais adequado para a UFPB.

Uma particularidade também marcou essas eleições: em todas elas, todas, as urnas para cada um dos três segmentos (estudantes, professores e técnico-administrativos) foram distribuídas por local de estudo e trabalho, ou seja, em cada centro ou órgão suplementar da UFPB três urnas foram instaladas para recolher o voto da Comunidade Universitária. 

O critério que prevaleceu nessas eleições foi o de facilitar o acesso ao voto para que a UFPB realizasse eleições cada vez mais participativas. 

Entretanto, nas eleições que se realizarão no próximo dia 16 de maio, inexplicavelmente, a Comissão Eleitoral que coordena o processo atual, pretende mudar essa sistemática e concentrar as urnas em um único local, na Central de Aulas da UFPB, o que exigirá que estudantes, professores e técnico-administrativos tenham de se deslocar, em alguns casos por longas distâncias, para exercerem seu direito ao voto. 

O eleitorado mais prejudicado, em especial, será o da comunidade do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e do Hospital Universitário (um acaso?). Em relação a este último, a maioria dos servidores terá de abandonar seus plantões para votar, o que, obviamente, impedirá o voto desses eleitores. Algo injustificável e inaceitável. 

Essa foi uma decisão que nunca foi tratada com devida transparência pela Comissão Eleitoral e, até o momento do seu anúncio, foi marcada por flagrantes contradições nas suas justificativas.

A primeira informação sobre essa questão por parte dos representantes da Comissão Eleitoral dava conta de que, segundo o TRE, não haveria tempo hábil para disponibilizar as urnas eletrônicas, isso há dois meses da eleição.

Quando restava um mês para o pleito, as chapas foram informadas de um novo prazo determinado pelo TRE, agora de 45 dias, o que inviabilizava o uso das urnas eletrônicas e forçava a realização da eleição com urnas de lona.

Agora, no dia 4 de maio, portanto, a 12 dias da eleição, somos surpreendidos mais uma vez com uma nova informação: o TRE disponibilizaria as urnas, mas só se forem instaladas todas em um único local. 
Nunca é demais lembrar que todas as eleições realizadas na UFPB até hoje, seja para Reitor, seja para o DCE, ADUF e SINTESP, foram realizadas com urnas distribuídas pelos Centros. 

A última eleição, na qual foi eleito o atual reitor, foi realizada com urnas eletrônicas distribuídas da forma tradicional, e tudo funcionou perfeitamente – Rômulo Polari era considerado favorito – e sem contratempos e a falta de transparência por parte da Comissão Eleitoral que marcam a atual campanha.

Nesse ponto, uma pergunta se impõe: qual o motivo para justificar uma mudança tão abrupta, que não apenas quebrará uma tradição na forma de organizar eleições na UFPB, dificultará o voto, afastará eleitores e criará um caos num único espaço para o qual irá se dirigir uma comunidade de 30 mil pessoas?

 A função da Comissão Eleitoral é fazer cumprir o regimento da eleição, que diz expressamente que as urnas deverão ser distribuídas de maneira descentralizada, “em função do respectivo número de votantes e da dispersão geográfica” (veja abaixo os artigos do regimento eleitoral que tratam dessa questão).



Agindo de maneira distinta, ela não apenas estará prejudicando a comunidade universitária da UFPB quanto ao direito ao voto, mas poderá interferir no resultado eleitoral.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

PSB em frangalhos: unidade só acontece em torno de Agra

Política é mesmo imprevisível. Quem diria que, há um ano atrás, o PSB não apenas enfrentaria imensas dificuldades  para manter a prefeitura da capital, como suas principais lideranças, o governador Ricardo Coutinho e o prefeito Luciano Agra, estariam em vias de um racha que pode coloca-los definitivamente em palanques opostos e dividir o hoje mirrado espólio eleitoral do esquema governista em João Pessoa?

Depois da expressiva vitória conquistada na cidade em 2010 e da vitória para o governo, a eleição de 2012 para prefeito da capital parecia um passeio com RC no controle das duas principais máquinas administrativas do estado.

Mesmo com as fragilidades que Luciano Agra apresenta como candidato, era inimaginável que, de favorito, o PSB passasse à condição de coadjuvante na eleição pessoense.

Como explicar um racha dessas proporções? Em primeiro lugar, é necessário levar em conta o desgaste do governador e do seu governo, o que diminui drasticamente sua influência eleitoral ao ponto de permitir o questionamento de sua liderança, até então intocada.

É a fragilidade atual de RC que lhe abriu o flanco para a contestação política de sua liderança. Essa fragilidade – momentânea? – fez com que os até então dóceis e obedientes “companheiros” colocassem as unhas de fora e revelassem o acúmulo de insatisfações decorrentes da ultracentralização ricadista nas questões administrativas e partidárias.

Contando possivelmente a ambiguidade e a insegurança de Luciano Agra, cujos vai-e-vem mostram o quanto ele é sujeito a pressões – na frente de RC ele se submete e jura lealdade ao “projeto”, encorajado pelos aliados mais próximos ou com projetos conflitantes com o de RC, Agra volta ao “volta Agra,” – o governador excluiu o prefeito do projeto eleitoral ao indicar Estelizabel Bezerra.

Com isso, RC mexeu no vespeiro dos diversos projetos que ansiavam por abrir asas: o do próprio Agra, de Nonato Bandeira e de Bira, todos encorajados a alçar novos voos na política disputando a prefeitura da Capital depois de 2010.

Os três se uniram em torno de Agra, sendo que o único que não depende de RC para ser candidato é Bandeira, no PPS. E o que tudo indica, o projeto só sai unido se for em torno de Luciano Agra, só para quem, imagino, Nonato Bandeira retira sua candidatura, num acordo que pressupõe apoio ao candidato do PPS caso não Agra não convença RC.

Portanto, nisso reside a viabilidade da candidatura da situação na capital: a disposição de RC de aceitar o “volta Agra” como um projeto que tem base nas insatisfações a respeito de como o governador lida com os diversos projetos individuais no “coletivo”. Isso sé se dará se RC reconhecer que, fragilizado politicamente, ele não consegue emplacar Estela Izabel com seu esquema dividido. Ou seja, a única chance de RC não perder na capital é manter-se unido a Agra e, com isso, manter unidas na eleição as máquinas da prefeitura e do governo estadual.

Do contrário, vai ser um passeio da oposição.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Carta ao PT e aos petistas


Filiei-me ao PT há 15 anos atrás, em 1997. Antes, havia militado no PCdoB, partido no qual entrei ainda adolescente nos estertores da Ditadura Militar, em 1984, e no qual militei por dez anos, quando me afastei por divergências na condução do partido. Portanto, minha vida política e partidária sempre foi na esquerda, quando abracei as causas que sempre considerei as mais generosas não apenas para o povo brasileiro, mas para a humanidade.
Ainda secundarista, enfrentei os mais ardorosos debates sobre alianças partidárias. No PCdoB, fui acusado por petistas de traição de classe por defender a chamada Frente Democrática que elegeu Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, o que pôs fim a 21 anos de Ditadura Militar.

Nessa trajetória pós-ditadura, ainda vi o PT se recusar a assinar a Constituição de 1988, que muitos iriam defender quando o neoliberalismo chegou ao poder nos anos 1990; vi ainda muitos petistas se engalfinharem numa luta interna denunciando outros petistas por defenderem – vejam só! – uma aliança com os comunistas do PCdoB. 

Veio 1989 e o Lula-lá tomou conta do Brasil, apaixonando sua juventude que abraçou a causa das reformas sociais e econômicas que representava a candidatura de Lula, amparada numa coligação de esquerda que envolvia o PT, o PSB e o PCdoB. Só. Desses partidos nasceu uma maiores movimentos de massa da história brasileira. Milhões de brasileiros foram às ruas, reproduzindo o que acontecera na campanha pelas Diretas, Já e, depois, pela eleição de Tancredo Neves. Dessa vez, defendendo um programa de reformas de esquerda que chamávamos à época de “estruturais” que jamais voltaram a constar nos programas de Lula. 

Paradoxalmente, durante o ano de 1989 e nos seguintes, a esquerda entraria em crise: queda do Muro de Berlim, fim da URSS, ascensão de uma nova direita mundial que empunhava a bandeira do neoliberalismo, “globalização”. Essa intensa mudança, como não poderia ser diferente, provocaria desorientação política e crise ideológica. Muitos na esquerda deram crédito ao veredito do “Fim da história” e imaginaram a eternização da sociedade liberal e da hegemonia americana. 

O PT foi um dos partidos que mais foi atingido por essa onda conservadora, mas ela permitiu que o PT depurar-se e amadurecer sua verdadeira “vocação” como partido. Da confusão inicial dos primeiros anos da década de 1990, o PT evoluiu lentamente para um neokeynesianismo de esquerda e, abandonando a retórica do socialismo, que nunca foi definido até hoje com clareza, o PT abraçou o “desenvolvimentismo com distribuição de renda”, projeto que, necessariamente, se ampara na ampliação das bases sociais e políticas da nova aliança. 

Já no PT, eu ainda lembro a cara feia dos remanescentes da esquerda petista olhando com cara feia para a indicação do grande empresário José Alencar para a vice de Lula, que durante os oito anos foi mais à esquerda e mais corajoso ao defender o corte de juros do que os acomodados em seus cargos membros da “esquerda petistas”, um dos fundamentos do receiturário neoliberal que Lula manteve intocado até a crise de 2008, quando – Lula é mesmo um homem de “fortuna”! – abriu-se uma oportunidade histórica para finalmente dar início à transição para um novo modelo de desenvolvimento, que Dilma Rousseff herdou como principal tarefa de governo.

Eis uma narrativa que pretende resumir a trajetória do PT e o sentido dessa organização partidária hoje. O PT continua sendo um partido de esquerda, tanto no sentido que o termo adquiriu após a Revolução Francesa, de 1789, quanto na imposição estratégica defensiva da crise de fin de siècle, iniciada depois de 1989, exatos 200 anos depois. Continua de esquerda porque, hoje, todo “Neokeynesianismo” é de esquerda, orientado por projetos de distribuição de renda, de controle sobre o capital rentista, e de soberania.

Infelizmente, aqui na Paraíba, alguns petistas entenderam essas mudanças políticas na trajetória do PT como o fim das fronteiras que separavam a esquerda da direita e passaram a agir orientados unicamente pelo pragmatismo político. Desesperados por entrar no jogo do poder, mesmo que fosse pela porta dos fundos, engalfinharam-se numa luta fraticida em defesa de interesses externos ao partido, dividindo-o, imobilizando-o, tornando o PT uma caricatura de partido, desmoralizando sua tradição e sua história. 

Jamais compreenderam o que estava em jogo e o que dava sentido à existência do PT, não por conta de uma disposição ideológica desse ou daquele dirigente, mas por conta da base social que é o que dá suporte à existência de qualquer partido. É claro que a Direção Nacional do PT é sempre mais “permissiva” quando se trata de estados mais “periféricos” como a Paraíba. É fácil imaginar a resposta de Lula a uma proposta de Paulo Maluf para uma troca de apoio em cidades importantes de São Paulo. Mas, o PT da Paraíba também tem história e é de origem primordialmente urbana.

Ao invés de, na Paraíba, afirmarem um projeto e uma aliança de centro-esquerda, como, aliás, acontece em todo o Nordeste, se jogam nos braços do PP, um partido mais que conservador, de direita, um legítimo representante do latifúndio e do agronegócio. Participar com o PP de alianças políticas é uma coisa. Outra é tê-lo encabeçando-as.

E para não me taxarem de “esquerdista”, digo logo que as alianças na Paraíba devem comportar os partidos mais ao centro, se possível confluindo para o PT como partido aglutinador, como aconteceu com o PSB, só que, nesse caso, com adversários nacionais do governo Lula, o que tornou impraticável uma aliança em 2010, mesmo considerando ser um PSB um partido do “núcleo duro” da aliança nacional lulista. 

Essa é uma carta que representa uma desistência, uma derrota, uma descrença com os destinos do PT na Paraíba. Desfilio-me do PT depois de 15 anos de filiado, quando acompanhei derrotas e, finalmente, pude viver a alegria que foi eleger Lula em 2002. E, com todos os percalços e limitações de uma base tão ampla quanto necessária para sustentar um governo sob o fogo cerrado da grande imprensa e das elites econômicas. Percebi no decorrer dos últimos 10 anos o amadurecimento do projeto em andamento, que se encaminha para alcançar, com a lentidão com que sempre são feitas as mudanças no Brasil, sempre graduais como Lula percebeu desde cedo, os objetivos de um desenvolvimento econômico e social ancorado num projeto de nação. 

Eis o desafio histórico que a atual direção do PT da Paraíba jamais levará em consideração. Saio do PT, mas permaneço um ardoroso apoiador desse projeto.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

PT faz opção por aliança conservadora na Paraíba


Frei Anastácio e Enivaldo Ribeiro: símbolos da nova aliança do PT-PP
O PT da Paraíba não toma jeito mesmo. Aqui, o partido de Lula chafurda na lama do pragmatismo e da desorientação política, incapaz de dar forma a um projeto de poder que tenha consistência e se mostre confiável ao eleitorado. 

Depois da escolha de um candidato a prefeito de João Pessoa que não tem a mínima identidade com a política, a história e a trajetória do partido ("O que pensa esse rapaz?", diria o filósofo Paulo Arantes), agora vem a decisão do PT de Campina Grande de apoiar Daniela Ribeiro, do malufista PP.

Quem acha que isso é apenas uma troca de apoios, desconsidera o perfil à direita que tem Luciano Cartaxo. Com Durval Ferreira, estará formado um par mais que perfeito!

Alguns dirão: “Mas o PP faz parte da base de apoio do governo Lula!”. Correto, mas o PP tem uma posição marginal num governo que se diz de centro-esquerda, além de ser ele um dos esteios do conservadorismo que impediu e impede o governo Lula, e agora Dilma, de avançarem. Façam um levantamento em quantas cidades importantes o PT apoiará o PP no país inteiro. E o motivo é político. 

Recentemente, vi muitos petistas-lucianistas criticarem o parecer emitido pelo então deputado federal do PCdoB e atual Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, a respeito do novo Código Florestal, qualificando-o de estar em consonância com os interesses da “bancada ruralista”, a bancada dos latifundiários e do agronegócio.

Pois bem. Dos 38 deputados federais que tem o PP na Câmara dos Deputados, nada menos que 29 pertencem a essa bancada (para conferir a veracidade da informação, clique aqui). Se não bastasse isso, Daniela Ribeiro, a nova musa do PT campinense, é neta de nada mais nada menos que Agnaldo Veloso Borges, que foi uma liderança proeminente do “Grupo da Várzea”, que aglutinou latifundiários da Zona da Mata e Brejo durante a ditadura. 

Para quem não se lembra, o Grupo da Várzea é responsabilizado pelos assassinatos de João Pedro Teixeira e Margarida Maria Alves, apenas para citar os casos mais famosos.

Agora me digam: é possível a um eleitor comum enxergar alguma lógica nas decisões de um partido que, por quase oito anos, participa de um governo e depois lança ou apoia um candidato/a de “oposição”? 

Em João Pessoa, o PT apoiou e participou do governo Ricardo Coutinho/Luciano Agra, indicou secretários, deu sustentação no parlamento, e agora lança um candidato de oposição, que já foi nada menos que líder do governo na Câmara de Vereadores. 

Em Campina, o PT faz a mesma coisa, com a agravante de aliar-se ao conservadorismo político no estado, numa composição que promete espalhar-se por toda a Paraíba.

A decisão tomada pelo PT ontem em Campina é uma demonstração da falta de consistência da esquerda paraibana, que aposta no pragmatismo de uma aliança com a direita para tentar vencer eleições. 

As lideranças do PT da Paraíba não fazem jus à tradição que o PT fundou no Brasil, nem muito menos aos esforços de Lula e Dilma Rousseff para conquistarem mais soberania e independência ao Brasil, mesmo com a resistência de conservadores da estirpe dos Ribeiro, em Campina Grande.

Eu pensei que o PT tinha chegado ao fundo do poço. Mas estava enganado.

domingo, 22 de abril de 2012

Cassismo revigorado: RC e Cássio chegraram a um acordo?



A mudança no secretariado promovida pelo governador Ricardo Coutinho na semana passada, seguida de fatos que a sucederam, são um sintoma claro de que o ex-governador e atual senador Cássio Cunha Lima passa a ter uma influência no governo estadual proporcional à importância que teve na eleição de 2010. Cunha Lima já indicara nomes de importantes secretários, mas a maioria situada na equipe técnica, ou seja, secretários de pouca capacidade de ação política.

Com a indicação de Harrinson Targino para a Educação, por exemplo, uma Secretaria que sozinha concentra ¼ do orçamento estadual, o governador Ricardo Coutinho atende tanto ao apetite cassista para ter mais espaço no governo, quanto a busca de uma solução negociada para o conflito com a UEPB, que lhe tem produzido um sério desgaste em Campina Grande. 

É certo que Targino, nem muito menos Cássio, não aceitariam tal incumbência para dar seguimento a uma pendenga que só cria desgaste para o governo. Com um cassista na secretaria, Cunha Lima assume para si a não apenas a responsabilidade de superar o impasse, mas também o compartilhamento de um possível desgaste. Cássio aceitou tanto compartilhar o governo quanto os problemas de ser governo.

Tanto que o que se viu em seguida ao anuncio foi um Cássio Cunha Lima em plena vitalidade retórica, saindo do autoexílio em que se encontrava desde o início de 2011. Cássio falou muito na semana passada. Deu entrevistas, polemizou e entrou no debate sobre a a lei da autonomia da UEPB com a autoridade de ter sido o seu criador. E a favor da posição governo. 

Numa dessas entrevistas, discordou, sem esquecer das amabilidades com que sempre trata os aliados políticos, de ninguém mais que a reitora Marlene Alves, pivô do confronto que opôs a comunidade da UEPB e o governo RC. Disse que, mantida a interpretação da UEPB, chegará um tempo que a universidade terá para si 100% do orçamento. Cássio deu a senha e um acordo deve ser produzido em breve sobre a questão.

Essa é uma mudança importante que certamente terá reflexos no futuro das disputas políticas no estado. Acena antes de tudo para a consolidação da aliança de Cunha Lima com RC, que até então parecia estremecida por conta da forte concentração político-administrativa nas mãos do governador. 

Se for isso mesmo, temos uma injunção óbvia como consequência: RC será o candidato de Cássio em 2014, numa aliança eleitoral que começa desde já. O Calcanhar de Aquiles cassista (Campina Grande) vai ser protegido para evitar tanto a derrota do PSDB quanto a vitória do principal adversário do projeto de reeleição do governador. 

A eleição de Campina era uma equação política de difícil resolução para RC: uma vitória cassista em Campina, sem o apoio do governador, aumentaria em demasia a autonomia de Cássio; uma derrota, por outro lado, significaria aumentar o peso da oposição no xadrez eleitoral do estado. Com o ex-governador tucano inelegível, mas ainda influente o bastante, um Ricardo Coutinho encalacrado numa crise que impede o governo de produzir frutos políticos, a alternativa que restou ao governador foi compartilhar a administração com Cunha Lima. 

O próximo desafio a ser enfrentado por Cássio é ajudar no impasse em que se encontra a base parlamentar governista na Assembleia Legislativa, acuada pela dificuldade de defender medidas impopulares, especialmente as que atingem o funcionalismo. 

Cássio terá que “domar” o estilo bonarpatista de Ricardo Coutinho – esse será um capítulo da história política paraibana que merecerá estudos, – que, sem força política própria e agindo no puro voluntarismo, acaba governando de crise em crise. Mas essa talvez seja uma questão de sobrevivência para RC. 

Se Cássio veio para ficar, resta o governador se adaptar. E acho que ele está cada vez mais propenso a isso. Portanto, é lícito também supor que RC é cada vez menos RC.

sábado, 14 de abril de 2012

Pesquisa Consult: Maranhão avança, mesmo em meio à dúvida sobre sua candidatura; Estelizabel cresce

TSE definirá se esse confronto pode mesmo se efetivar

A eleição para prefeito de João Pessoa guarda algumas semelhanças com a eleição de Campina Grande. A primeira delas, é que os candidatos de oposição nas duas cidades são políticos conhecidos e com experiência em embates eleitorais; a segunda delas é que, pelo lado da situação, figuram duas mulheres, ex-secretárias, consideradas “técnicas”, mas que não foram ainda testadas nas urnas.

Outra semelhança foi revelada com a divulgação da pesquisa Consult neste sábado. Como em Campina Grande, os dois principais candidatos de oposição partem na frente, e com números muito aproximados. Em João Pessoa, José Maranhão (PMDB) lidera com um percentual de 27,6%, exatamente o mesmo percentual que obteve Daniela Ribeiro (PP), em Campina Grande (27,7).

O segundo colocado em João Pessoa, Cicero Lucena (PSDB), com 20,4%, senão representa o mesmo resultado obtido por Romero Rodrigues (também do PSDB), 24,9%, está dentro da margem de erro, que é de 3%, ou seja, um “empate técnico”.
Situação semelhante vivem as candidatas da situação. 

Na pesquisa divulgada hoje, Estelizabel Bezerra obtém 7,7%, o que representa um outro “empate técnico” se compararmos com o desempenho de Tatiana Medeiros, do PMDB: 11,7%.

Avaliação da Pesquisa de João Pessoa

A única diferença do quadro eleitoral campinense em relação ao de João Pessoa diz respeito ao candidato do PT, Luciano Cartaxo, que conseguiu chegar aos 10,4%, um resultado que representa crescimento fora da margem de erro, isso se compararmos com as últimas pesquisas DataVox e Jornal da Paraíba , quando o candidato petista obteve 3%.

O crescimento de Cartaxo era previsível por conta da superexposição do candidato após a vitória obtida na eleição petista que ratificou sua candidatura, mas ficou bem abaixo das expectativas que algumas lideranças ligadas ao deputado petista tinham. O problema para Cartaxo é: mantido esse patamar, a direção nacional do PT pode retirar-lhe o apoio e jogar a legenda nos braços do PSB. Vamos esperar como o quadro evolui até julho.

Como não há parâmetro de pesquisas anteriores para comparar com o desempenho de Estelizabel Bezerra, pode-se considerar que ela obteve um resultado expressivo. Ainda amplamente desconhecida do eleitorado pessoense, Estela ainda encontra dificuldades de ter se afastado de suas funções de Secretária de Planejamento da PMJP muito cedo, o que representou uma dificuldade a mais na sua exposição pública.

Por outro lado, as dúvidas constantemente lançadas a respeito de se ela seria ou não a candidata, o que, ao que parece, só foi definitivamente resolvido na semana passada, deve ter tido alguma influência sobre o desempenho de Bezerra. Mesmo assim, a candidata do PSB já está empatada tecnicamente com Luciano Cartaxo.

E ainda tem potencial para crescer mais. Um fato a ser salientado é que, representando uma administração que, assim como a do prefeito Veneziano Vital, é bem avaliada pelo eleitorado, ainda existe um grande espaço a ser ocupado pela candidata do PSB.

Além disso, não desconsideremos o apoio das duas poderosas máquinas que estarão unidas para impulsionar a candidata de RC em João Pessoa. Além disso, apesar do desgaste, o governador ainda conta com algum prestígio em meio ao eleitorado.

Cícero Lucena manteve a mesma posição onde se encontrava nas pesquisas anteriores: rondando os 20 pontos percentuais. Talvez isso se deva à ausência do senador tucano do noticiário nas últimas semanas, o que é um comportamento estranho para um candidato com pretensões de vitória.

A questão é saber se Lucena será capaz de transpor esse patamar de maneira a assegurar sua presença no segundo turno. Caso contrário, o senador pode começar a avaliar suas chances de vitória e, portanto, suas estratégias eleitorais. José Maranhão vai esperar ansioso por essa decisão.

A maior surpresa aparece lá na frente, com a expressiva liderança de José Maranhão. Pela primeira vez, Maranhão consegue não apenas ultrapassar Cícero Lucena como obter uma vantagem superior a 7 pontos percentuais, o que é uma vantagem fora da margem de erro e, portanto, não há como colocar em dúvida a liderança maranhista. Nas pesquisas anteriores onde Cícero Lucena aparecia sempre à frente de Maranhão, a diferença se manteve dentro da margem de erro.

E bom não esquecer que a pesquisa foi realizada apenas um pouco depois da decisão do TRE que não aprovou as contas de campanha do ex-governador, o que, em tese, o torna inelegível. 

E, o que poderia representar um balde de água fria nas expectativas de vitória de Maranhão, pode ter sido interpretado pelo eleitorado oposicionista como um ato de perseguição a um candidato com um viés claramente anti-ricardista, algo muito semelhante ao que aconteceu a
Cássio Cunha Lima depois de sua cassação pelo mesmo TRE.

O resultado dessa pesquisa, sem dúvida, representa uma pressão a mais sobre o TRE e TSE, que podem apreciar um recurso do PMDB para viabilizar a candidatura de José Maranhão. Caso possa ser candidato e consolidada a posição de liderança atual, Maranhão cria as condições para ir com peso para o segundo turno.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Um "projeto", duas visões: as decisões de Nonato Banderia e Luciano Agra

RC: entre dois projeto
A manutenção candidatura do agora ex-Secretário de Comunicação da Paraíba, Nonato Bandeira, continua sendo o grande enigma da eleição municipal de João Pessoa.

Reafirmada após a entrega do cargo na quinta-feira passada e da entrevista coletiva concedida hoje, a candidatura de Bandeira terá pela frente o duro desafio de se tornar viável e, portanto, de ser alternativa real para o bloco comandado por Ricardo Coutinho.

E viabilidade é algo que parece ser a grande dúvida que se apresenta para a pretensão do pré-candidato do PPS, ou seja, se Bandeira converterá em intenção de voto o apoio político que ele parece ter de partidos da base governista e setores da imprensa pessoense.

Tanto que o jornalista Luiz Torres fez questão de salientar essas dúvidas que muitos nutrem em relação à candidatura de Nonato Bandeira. Segundo Torres, o que para muitos seria um ato de loucura – abandonar a condição de super-secretário do governo para aventurar-se numa disputa onde são mínimas as chances de vitória – foi tratado como um ato de abnegação e dedicação ao “projeto”.

Coincidentemente, é também em nome da preservação desse projeto que Luciano Agra mostra constantes atos de altruísmo político. Segundo ele, todos devem estar subordinados a ele. Só que, nesse caso, Bandeira aparentemente faz o caminho inverso.

Enquanto Luciano Agra abre mão de sua postulação em nome de um “projeto” (de poder), Nonato mantém sua candidatura também justificando a mesma coisa. É um desprendimento raro de se ver nos dias de hoje e, certamente, digno de nota.

Pode-se dizer que são visões diferentes sobre a mesma questão. Se for isso mesmo, está explicado por quê Agra e Bandeira são de partidos diferentes, mesmo compondo o mesmo grupo político. Mas, mesmo aqui, o que é a desgraça do atual prefeito – ser do PSB, o partido controlado pelo governador, – vem a ser a salvação de Bandeira.

Enquanto este finca o pé, abandona o governo para ser candidato e aparentemente peita o governador, Agra mostra resignação, mesmo desejando ser candidato. A questão é saber porque Agra não é tão bom para o bem do “projeto” quanto Estelizabel Bezerra parece ser.  

Será que essas atitudes aparentemente desconexas podem explicar uma outra coisa? Ou seja, o motivo pelo qual Luciano Agra foi o ungido à condição de vice de Ricardo Coutinho em 2008, que era uma maneira de ser prefeito de João Pessoa sem ter voto, e porque Nonato Bandeira foi preterido. Imagine se ao invés de Agra, o prefeito hoje fosse Bandeira, e RC desejasse uma outra candidatura? O “altruísmo” de Bandeira seria colocado à prova.

Em tempo: Apenas para registro: em termos práticos, a manutenção da candidatura de Nonato Bandeira assegura pelo menos que dois partidos não engrossem o caldo da oposição na eleição de João Pessoa: o próprio PPS e o PTB. Se Nonato não fosse candidato, abriria espaço, no mínimo, para a candidatura do oposicionista deputado estadual Jandhuy Carneiro, ou, piora ainda, que o PPS apoiasse Cícero Lucena numa articulação nacional entre o partido de Roberto Freyre e PSDB. No caso do PTB, que abriga o vereador oposicionista Tavinho Santos, a candidatura de Nonato Bandeira é o caminho menos traumático para que Armando Abílio, mais conhecido como “Mãe Diná”, transite para os braços do ricardismo sem dá muito na vista. Se isso for pouco, a candidatura de Bandeira ajuda na realização do segundo turno e na ampliação dos apoios a Estelizabel Bezerra, o verdadeiro “projeto” do ricardismo na eleição de 2012 em João Pessoa.